Tuesday, November 28, 2006
Talvez tenha falado demais, ou de menos. Pensei que se falasse era tudo mais simples, mas parece só complicar mais. Cansei me de forçar sorrisos por batalhas perdidas. Cansei me de evitar problemas por medo de incomodar alguém. O meu mau humor é meu, tenho direito a ele. Tenho direito às minhas birras quando estou sozinha no meio dos lençóis abandonando me ao ar frio da noite. Tenho direito de me defender de tudo o que me magoa. Mas hoje não chove, e eu sinto saudades da chuva e das estrelas. Sinto saudades do cheiro do chão molhado e das pingas que caem das árvores. Saudades do som do vento à noite, quando tudo é silêncio abandonado pelo crepúsculo.
Thursday, November 23, 2006
[Secretly]
Escrevo te palavras que nunca veras. Murmuro te palavras que nunca ouviras. Ainda que não saiba quem tu és. Gostava de estar lá para te dar a mão e o apoio que tenho dado a tanta gente. Mas não consigo. Quando chega a tua vez faltam me as forças e a coragem. Falta me o fôlego e a vontade. Queria falar contigo ate adormeceres e secar te as lágrimas. Queria dar te o abraço que precisas e a segurança que te falta. Mas não consigo. Não sei porque espero, não sei o que me falta. Só sei que não te encontro e isso magoa me por dentro. Talvez não seja o momento certo, talvez não procure no sítio certo. Mas falta me o sentido de orientação e o mundo não para só para eu te encontrar. O mundo não para só para te dar tempo. Tu irritas me. A tua apatia enquanto tens tudo o que queres e não aproveitas. Limitas te a vaguear por caminhos estranhos sem encontrares o teu. Porque é que o teu sorriso tem de ser sempre para agradar alguém? Porque não sorris por tudo aquilo que és e tens? Deixas te ir com a maré e entras em decadência. Abandonas te dentro de ti e foges do mundo que te chama. Isolas te quando mais precisas de gritar e choras longe de tudo. O que se passa comigo? Falta me o ar, o abrigo, o abraço, o calor, o frio, a solidão, a companhia. Falto me eu, porque me perdi e não encontro o caminho de volta.
Wednesday, November 22, 2006
[I want to be the girl with the most cake]
Hoje guardo o sorriso na gaveta e as lágrimas debaixo da almofada. Hoje os suspiros evaporam e as gargalhadas são abafadas. Hoje o chão ficou quente e o ar gelou. Hoje o sol escondeu se e o céu ficou preto. Hoje os pássaros não cantam e as nuvens não se movem. Hoje as cordas rebentaram e a guitarra fica muda. Hoje o telemóvel fica desligado e os assuntos pendentes. Hoje a voz foge e a cabeça pesa. Hoje O dia está lento e o tempo passa depressa demais. Hoje o café sabe a água e o silêncio ensurdece me. Hoje ouço o óbvio, mas recuso me a aceitar.Hoje as tintas secaram e os pincéis ficaram num canto. Hoje as parades apertam e o tecto desaba. Hoje a pele endureceu e o cabelo caiu. Hoje queria sair, mas tenho medo da rua. Hoje queria que alguém se lembrasse de mim, mas quero estar sozinha. Hoje queria isolar me, mas quero estar rodeada de pessoas. Hoje queria um abraço, mas não suporto a proximidade. Hoje queria afagos na cabeça, mas nao quero que me toquem. Hoje queria sentir me parte de algo, mas sou individualista demais. Hoje queria viver o dia, mas alguém carregou no "pause". Hoje queria ter um porto seguro, mas faltam me as cordas para me prender. Hoje queria entender me, mas tenho medo dos esqueletos no armário. Hoje queria começar o dia, mas escondi me debaixo dos cobertores. Hoje queria ser feliz, mas os outros estão e é isso que importa. "Hoje estou que não me entendo, Hoje não me recomendo."
[Chuva]
Deixa-me. Quero ficar sozinha. (Não me largues a mão.) Quero ser sozinha. Não me podes guiar o caminho. Não me toques mais porque o teu toque doce fere-me a pele. Deixa-me no meu canto esquecida pelo tempo. Deixa-me dormir esquecendo o tempo. Não me peças os sorrisos que não te posso dar, nem a alegria que perdi por entre os meus caminhos. Não te vou pedir nada porque não sei como pedir o que preciso. Não te vou dizer nada porque não sei como dizer o que sinto. Não vou abrir mais o coração porque não sei sentir. Deixa esta velha angústia que trago no peito transbordar. Será que não entendes que o meu único conforto são as minhas lágrimas? Será que não entendes que a minha única certeza é a minha dor? Será que não entendes que eu também não sei a resposta para as perguntas que me fazes? Será que não entendes que não consigo avançar porque as minhas pernas não se mexem? Vá, deixa-me. Eu fico no meu canto a ver a chuva cair. Deixa-me de uma vez porque eu te faço mal. Eu vou passear à chuva e correr por entre recordações.
[o fim do concerto]
No fim do concerto a melancolia invade me com o pensamento que acompanha o regresso a casa. Mais uma noite termina com o fumo de um cigarro. O silencio instala se e as pernas cansadas arrastam se por caminhos vários. As promessas de outras noites, de uma amizade sem fim repetem se noite após noite. E cada vez somos menos. O número vai diminuindo, as caras vão envelhecendo, sempre as mesmas. Mas até essas um dia não estarão no fim do concerto. As mesmas pernas cansadas que um dia caminharam lado a lado agora levam nos em direcções opostas. Cada um construindo o seu próprio caminho. Talvez um dia nos voltemos a encontrar. Talvez um dia as promessas feitas possam ser cumpridas. Por agora, olho em silencio o palco vazio no fim do concerto.
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