Wednesday, November 22, 2006
[Chuva]
Deixa-me. Quero ficar sozinha. (Não me largues a mão.) Quero ser sozinha. Não me podes guiar o caminho. Não me toques mais porque o teu toque doce fere-me a pele. Deixa-me no meu canto esquecida pelo tempo. Deixa-me dormir esquecendo o tempo. Não me peças os sorrisos que não te posso dar, nem a alegria que perdi por entre os meus caminhos. Não te vou pedir nada porque não sei como pedir o que preciso. Não te vou dizer nada porque não sei como dizer o que sinto. Não vou abrir mais o coração porque não sei sentir. Deixa esta velha angústia que trago no peito transbordar. Será que não entendes que o meu único conforto são as minhas lágrimas? Será que não entendes que a minha única certeza é a minha dor? Será que não entendes que eu também não sei a resposta para as perguntas que me fazes? Será que não entendes que não consigo avançar porque as minhas pernas não se mexem? Vá, deixa-me. Eu fico no meu canto a ver a chuva cair. Deixa-me de uma vez porque eu te faço mal. Eu vou passear à chuva e correr por entre recordações.
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